Cada peça Cerâmicas Trovati começa na escolha da massa cerâmica. A argila é uma matéria viva, sua composição, textura e temperatura de queima determinam não apenas a resistência da peça, mas também como ela vai reagir ao esmalte, à luz e ao toque. No ateliê, trabalho com massas cuidadosamente selecionadas que equilibram plasticidade para a modelagem e estabilidade para o forno, permitindo tanto o trabalho no torno quanto a modelagem manual.

O processo passa por duas etapas principais de queima: a primeira, chamada biscoito, que transforma a argila crua em cerâmica sólida e porosa; e a segunda, a queima do esmalte ou vidrado, que dá à peça seu acabamento final, cor, brilho e impermeabilidade.

Os esmaltes — também chamados de vidrados — são a alma da cor em cerâmica. Formulados a partir de minerais, óxidos metálicos e vidrados, são aplicados à mão com pincel, por imersão ou banho, e a escolha do esmalte influencia profundamente a aparência final da peça, oferecendo uma ampla gama de cores e texturas.

Mas é aqui que a magia do artesanal acontece: dois esmaltes idênticos podem resultar em peças completamente diferentes. A queima de alta temperatura faz com que o esmalte atue de forma menos controlada, criando efeitos especiais e texturas que tornam cada peça única. Além disso, dentro do próprio forno, cada prateleira recebe uma temperatura ligeiramente diferente. Uma peça no alto pode sair com uma tonalidade que a peça na prateleira de baixo jamais vai ter, mesmo que sejam gêmeas em forma, massa e esmalte. Isso não é imperfeição. É a assinatura do fogo.

Essa imprevisibilidade controlada é o que torna cada peça Cerâmicas Trovati verdadeiramente única. Você não está comprando uma cópia, está levando para casa um momento irrepetível.


OURO, PLATINA, BRONZE E LUSTRES

Algumas peças recebem um passo a mais: a terceira queima. Essa etapa é reservada para acabamentos especiais como ouro líquido, platina e lustres — elementos que eleva às peças um toque de sofisticação que nenhum esmalte comum alcança.

O ouro líquido é apresentado em forma de tinta com partículas de ouro suspensas em um meio protetor, que adere à cerâmica vitrificada durante o processo de queima. Os lustros, por sua vez, são reflexos metálicos compostos de sais minerais e resinas de alta qualidade, caracterizados pelo alto brilho após a queima. A platina segue o mesmo princípio — com um resultado mais frio, prateado e igualmente refinado.

Cada um desses materiais exige uma queima precisa e cuidadosa, em temperatura mais baixa que as anteriores, para que o metal fixe com o brilho e a aderência corretos. O resultado é uma peça que carrega, literalmente, ouro em sua superfície — e que reflete luz de uma forma que só a cerâmica artesanal sabe oferecer.


PERGUNTAS FREQUENTES

As peças são seguras para uso com alimentos? Sim. Os esmaltes utilizados são atóxicos e as peças passam por queima completa. Peças com ouro, platina ou lustres são decorativas — não recomendo uso com alimentos nessa área específica.

Por que duas peças da mesma coleção podem ter cores diferentes? Porque cada queima é única. A posição no forno, a temperatura exata atingida naquele dia, a espessura do esmalte aplicado — tudo isso influencia o resultado. Essa variação é intencional e valorizadíssima no artesanal.

As cores desbotam com o tempo? Não. O esmalte cerâmico é permanente — ele está fundido à peça, não apenas pintado sobre ela. Com os cuidados corretos, a peça dura gerações.

Posso lavar as peças na máquina de lavar louça? Peças utilitárias sim, com moderação. Peças com ouro, platina ou lustres devem ser lavadas sempre à mão, com delicadeza.

Posso encomendar uma peça em uma cor específica? Sim, trabalho com personalizações. Mas lembro sempre: na cerâmica artesanal, pedimos uma direção, não uma certeza. O forno tem a palavra final, e isso é parte da beleza.